21 jul

O que é uma Web Rádio?

Ligar seu rádio e ouvir uma música da Turquia pode parecer meio absurdo. Afinal, se até a música brasileira às vezes tem pouco destaque nas rádios, imagine a desse país longínquo. Mas, com as webrádios, isso está se tornando possível. Hoje você já pode ligar o seu computador e “sintonizar” uma rádio de rap turco.

Tudo bem, rap turco pode não ser seu tipo de música preferido, mas imagine o quão longe ele consegue chegar, mesmo sendo tão específico. Também imagine que o dono dessa rádio não seja um grande empresário, um político ou um líder religioso, mas um grupo de hip hop de uma comunidade turca.

Agora pense no melhor de tudo isso: você também pode fazer uma rádio. Com um computador, alguns equipamentos e uma boa voz, você poderá pôr uma rádio “no ar” para qualquer pessoa do mundo ouvir.

Como funciona

O conteúdo de uma webrádio não difere muito do de uma rádio comum, afinal, as duas têm a mesma matéria-prima: o som. A diferença está na forma de transmissão do áudio.

 

Numa rádio convencional, AM ou FM, o som é transformado em ondas eletromagnéticas, que se propagam pelo ar e são captadas por aparelhos de rádio. Basta um radinho de pilha para ouvir este tipo de rádio, mas seu alcance fica limitado geograficamente às áreas atingidas pela antena de transmissão. Além disso, a legislação brasileira impõe muitas restrições quanto ao acesso ao direito de radiodifusão.

Nas webrádios, o som — digital — é enviado por meio da internet. Ou seja, você precisa de um computador conectado à rede para poder “sintonizar” a rádio. O alcance é praticamente global, pois a internet existe em quase todos os lugares do mundo e está se popularizando.

Redes

Além de ser um meio de divulgação, as rádios também podem agir incentivando a produção e atuação cultural, social e política de grupos e entidades. Com a webrádio, esses benefícios ficam mais acessíveis. Por isso e pela própria natureza da rádio — transmitir — a webrádio se torna um instrumento ideal para a formação de redes.

Uma rede é formada por nós interconectados. Numa rede social, os nós representam indivíduos ou grupos, e as conexões, as relações existentes entre eles.

A rede está presente no nosso círculo de amigos, nas parcerias profissionais, na família. Quanto mais abrangente a rede, com mais ligações esparsas a nós distantes da rede principal, mais propícia ela é para trazer novas idéias e oportunidades para seus membros.

Voltemos ao exemplo da webrádio de rap. Suponhamos que você seja um amante do rap e que resolveu montar sua própria webrádio. Além do espaço para divulgar as músicas de que gosta, o trabalho de novos grupos, notícias e eventos sobre rap, você poderá fazer contato com a tal webrádio turca de rap e promover um intercâmbio de material. Você mostra o que eles estão tocando por lá e eles, o que está rolando por aqui.

Novas webrádios e até rádios convencionais de rap podem se juntar a vocês e enriquecer ainda mais o trabalho de cada um. Estabelecida essa rede, pode-se utilizar o canal de comunicação criado para trocar não só material radiofônico, mas também idéias e informações que interessem a todos envolvidos.

Veja mais em Rede: uma estrutura alternativa de organização.

Gestão e financiamento

Um ponto importante para se pensar ao planejar sua webrádio, ou mesmo uma rádio comunitária, é como ela será mantida. É necessário ter em vista que uma empreitada desse tipo precisa de equipamentos e pessoas comprometidas para funcionar. Não é raro ver rádios que, passada a empolgação inicial, passam a produzir cada vez menos até serem abandonadas.

Algumas formas de financiamento podem ser consideradas, como verba de projetos do governo, patrocínio da iniciativa privada, de uma rede de voluntários ou de entidades com outras fontes de renda, e venda de espaço comercial na grade de programação.

Cada tipo de financiamento tem suas próprias implicações, inclusive de caráter político. Se você, por exemplo, falar algo que vai contra as idéias e interesses do seu patrocinador, correrá sério risco de perder o financiamento.

Por outro lado, até que ponto a mensagem que você irá passar na sua rádio deve ser controlada pelo seu patrocinador? Considere as concessões que você deverá fazer na sua programação, caso sua rádio seja patrocinada pelo governo, por algum grupo de atuação política ou uma instituição religiosa.

No caso de não haver financiamento externo, sendo a rádio mantida por voluntários, é importante ter uma noção realista do tempo de dedicação e quantidade de dinheiro que cada um poderá ceder ao projeto.

Direitos autorais e compartilhamento

Como já falado anteriormente, as redes permitem a troca de conteúdo entre as rádios. Você pode trazer alguma novidade aos seus ouvintes se usar algum programa de um parceiro dessa rede. E também pode ser ouvido entre outros públicos se ceder o seu material a outras rádios.

Todo o material produzido tem os seus direitos de uso e reprodução garantidos exclusivamente ao autor. Ou seja, um programa de rádio que você fez é seu e ninguém pode utilizá-lo sem a sua autorização.

Para garantir que o material que você produziu seja devidamente aproveitado e divulgado, com manutenção dos créditos e direitos autorais, é aconselhável que você lhe atribua uma licença que permita seu uso por outras pessoas, como o Creative Commons.

Essa é uma licença que, na realidade, contém vários tipos de licença. Enquanto a frase padrão de Copyright é “todos os direitos reservados”, a do Creative Commons é “alguns direitos reservados”. Assim, é possível definir por meio desta licença quais os direitos que devem ser mantidos e para quais usos o material é livre. Veja mais sobre o Creative Commons.

Um outro tipo de licença é o Copyleft. Este é um tipo de registro que tende a ser o oposto ao Copyright. Ele garante que qualquer pessoa que recebe um trabalho (software, documentos, músicas e outras artes) com esta licença possa usá-lo, modificá-lo e redistribuir tanto o trabalho na íntegra quando as versões derivadas (modificações) dele.

Há ainda o domínio público. Nesse caso, nenhuma pessoa ou entidade é a proprietária dos direitos da obra e todos podem usá-la livremente.

No ar!

Infra-estrutura básica

Para pôr sua estação para funcionar, você precisa definir o local de onde acontecerão as transmissões. O quartinho onde fica o computador ou o seu escritório podem servir de estúdio. Mas, se a idéia for fazer uma coisa mais elaborada, com uma galera fazendo locução simultaneamente, convidados dando entrevistas ou músicos tocando ao vivo, será necessário montar um espaço para ser usado exclusivamente para isso.

Dentro do estúdio, você vai precisar de um computador com placa de som e acesso à internet, microfone, fone de ouvido, mesa e monitores de som, além de cabos e conectores para ligar tudo isso.

Mas não se assuste com a quantidade de equipamentos. Para uma rádio mais modesta, com uma equipe pequena e poucos recursos, não será necessário adquirir a parafernália toda. O computador e o microfone já são suficientes no caso de uma programação musical intercalada com locuções.

Tipos de programas

A parte mais divertida vem agora. Com o estúdio montado, é hora de anunciar sua voz para o mundo. Você pode pôr pra tocar aquelas músicas que você nunca ouve no rádio, divulgar notícias que interessam à sua comunidade, convidar a turma para uma mesa-redonda sobre o último jogo de futebol, xingar aquele deputado que faz campanha no seu bairro ou se divertir fazendo um bom programa humorístico.

Há várias maneiras de se captar o áudio para fazer o seu programa. Você pode usar o microfone do estúdio e gravar o som diretamente para o computador ou sair por aí com um gravador na mão para coletar sons externos ou entrevistar pessoas na rua. Nesse caso, será necessário um cabo para passar o áudio do gravador para o computador.

Com o material coletado, comece a edição do programa. Utilize algum software de áudio, como o Audacity. Com ele, é possível colocar diferentes sons em seqüência, mixar e cortar.

Lembre-se que no rádio é preciso abusar dos sons. Sem uma imagem para prender a atenção do ouvinte, a saída é enfeitar seus programas com efeitos sonoros e música de fundo.

Você pode criar uma vinheta – aquela chamada que identifica o programa – combinando sons que tenham a ver com o tema ou o nome do programa.

Na hora da locução, é sempre uma boa colocar uma música de fundo para dar ritmo à fala e para não deixar a voz chata demais. Pode ser uma batida instrumental sendo repetida várias vezes ou uma canção sem partes cantadas – sempre bem baixinho, sem competir com o que o locutor está dizendo.

Transmissão

Há basicamente três formas de se “transmitir” um áudio pela internet. A escolha por uma delas vai depender dos objetivos e das capacidades técnicas de equipe e infra-estrutura da sua rádio.

A forma tradicional e que mais se assemelha a uma rádio convencional é a transmissão “ao vivo”, também chamada de transmissão síncrona. É a webrádio propriamente dita. O ouvinte “sintoniza” a rádio e escuta o que está sendo transmitido do estúdio naquele momento.

Esse tipo de transmissão demanda uma infra-estrutura mais complexa. Em resumo, ela funciona assim: você toca o seu áudio em um software instalado no seu computador, que o codifica e o envia a um servidor de webrádio, que pode rodar na mesma máquina; esse servidor, por sua vez, distribui a transmissão aos ouvintes pela internet.

Outra forma de transmissão é através das playlists, conhecida como transmissão assíncrona. Com elas, você pode montar uma seleção de programas e músicas, como a programação de uma rádio. A diferença é que o ouvinte vai escuta-la quando quiser. O áudio só será “transmitido” quando o ouvinte abrir a playlist no computador dele.

Há ainda a maneira mais simples de se divulgar um áudio. Você pode simplesmente disponibilizar um arquivo de áudio do seu programa para download em um site. Esta forma é interessante para compartilhar material radiofônico com outras rádios.

 

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